
O preço da liberdade é a eterna vigilância. Talvez seja de fato a melhor citação que define bem o momento que vivemos.
Temos hoje a Bela que mal saiu de um bloco pesado de QTs e já começa outro, ainda brando, mas que ficará pesado na semana que vem. Tivemos o resultado do último exame da medula muito bom. As taxas dos seus hemogramas têm subido, mas vemos como a carga de quimioterápicos é pesada e muitas das taxas sobem timidamente. Estamos em uma situação de uma criança sem imunidade total, pois suas taxas não estão todas acima dos seus mínimos-padrão, mas com uma boa imunidade, que nos leva a deixar que a Bela viva um pouco mais sua vida.
Mas a vigilância é fundamental. Estamos vivendo o nosso primeiro "frio carioca", quando aumentam as possibilidades de resfriados e problemas respiratórios, com a mudança do tempo, umidade etc. Tentamos proteger a nossa guerreirinha, mas sem sufocá-la, deixando que aproveite os dias, principalmente porque voltará a ser internada na segunda, provavelmente até sábado, ou sexta a tarde, quem sabe. Amanhece com algumas tossidas um pouco roucas, mas que nos parecem de fundo alérgico. Uma secreção a mais no ouvido já nos deixa ainda mais atentos. Não dá para relaxar, por mais que possamos considerar que estejamos em dias relativamente calmos.
O solzinho gostoso que saiu hoje fez com que arriscássemos uma ida à Lagoa. Vazio é bem melhor para a Bela, mas conseguimos aproveitar, principalmente pela Mariana que estava indócil para andar de bicicleta com o seu amiguinho Pepê. Levamos a Bela, que vendo a Nana de bicicleta quis levar o seu velocípede. Sob nossa total vigilância e cuidado, até mesmo com o próprio sol, aproveitou um pouquinho e se cansou, sendo resgatada pela Vovó Cecília que a trouxe para casa com a Nini, para que pudesse tomar banho, almoçar e capotar pelo simples programa, que agora se torna mais cansativo, pois sua resistência não está alta. De tarde mais uma saída para novamente acompanhar a Nana e Pepê no Jardim Botânico, para verem uma peça de teatro ao ar livre. Não planejávamos tirá-la de casa novamente, mas pesamos corpo x mente e ela queria muito sair novamente. Achamos que não erramos. Dentro do limite dos cuidados que temos, ponderamos que viver a vida também é importante, contanto que não coloquemos ela em risco. Nos faz bem também, por mais que estejamos sempre alertas.
Vamos seguindo vigilantes, provendo a vida que a Bela tanto quer, mas cabendo-nos restringir e dar nas doses certas, para que tenha sua vida plena e sua liberdade completa e definitiva no futuro.
Com tantos comentários inspirados, textos e citações lindas, encontramos uma que tínhamos guardada, que não nos recordamos se já veio algum dia no blog, que poderíamos inverter o título, que refletiria mais o nosso momento, para QUEM NÃO VIVE.
Fiquem com Deus, tenham todos um excelente domingo e até amanhã.
QUEM MORRE?
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos,quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente,quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.
(Pablo Neruda)