domingo, 4 de outubro de 2009

Chegou a Primavera!

Mais um mês se foi. E bem, graças a Deus. Mais um mês, menos um mês, menos 30 dias, menos 4 semanas e meia. Fizemos contas hoje e pelo calendário corrido chegamos na 52ª semana da Manutenção. 52 semanas, a conta rápida de um ano que já percorremos nessa fase do tratamento. Faltam mais 20 semanas. Faltariam, pois é na conta de padaria, que daria no final de fevereiro. Mas, quando acrescentarmos lá na frente os atrasos, suspensões e dosagens parciais das QTs, deveremos esticar algumas semanas mais. Mas toda esta contagem que ainda está por vir não tira o clima de alegria permanente por estarmos indo em frente. Lembram do catéter? Pois é, ele se foi há um ano atrás, no dia 26 de Setembro de 2008, dia de São Cosme e São Damião. Neste dia apelamos e precisamos de dois santos para nos proteger. Acabou tudo dando para lá de certo.

Que venha e fique o calor! Viva a Primavera, tão bem representada neste lindo desenho acima na nossa Nana. Esse tempo mudando toda hora não ajuda nada e temos preservado a nossa guerreirinha sempre que podemos, mas ela vai crescendo, quer mais, quer escola, quer as festinhas dos amigos da escola, quer o que toda criança gostaria de ter e vamos em alguns momentos em doses homeopáticas lhe dando um pouco da vida que pode ter por agora. Se Deus quiser, e há de querer, em breve ela desabrochará. Sentimos isso. Está vivíssima, enérgica, falante, uma fofa, indo super bem na escola, curtindo os seus amiguinhos, com uma batelada de quimioterápicos que lhe "abafam" a medula todos os dias da semana. Vemos o dia em que ela não precisará desses nossos santos parceiros de jogo, mas que sabemos que lhe altera o metabolismo, o humor, a força, mas jamais deixou a peteca cair. Um verdadeiro exemplo de vida para nós!

Foi mês de apresentações na escola. Nana com uma peça teatral, dos deuses do Olimpo, do mito de Deméter e Perséfone (confessamos que entramos no Google para poder escrever direito e tinha vários com Perséfones com "ph"). Solta como nunca vimos, representando as flores nas estações, lindinha como ela só. A Bela sentadinha na primeira fila, que não piscava um único minuto. Foi uma delícia o momento, pois há um ano atrás a Nana fazia a peça da Dona Baratinha e a Bela não pôde (o nosso ainda tem acento), pois não tinha defesas. Ver a Bela brincando com as amigas da Nana no pátio da escola foi uma emoção. E ainda vinha mais emoção pela frente. Esse mês a primeira peça da Bela, a do Bumba Meu Boi, que a Nana fez parcialmente há dois anos atrás (só entrou na música final com todos da turma). Nossa coelhinha da fazenda ensaiava diariamente sua apresentação, treinava e cantava todos os dias e lindinha com suas amiguinhas entraram saltitantes e encantaram todos os pais babões que estavam na escola. Nós também babávamos, mas também discretamente chorávamos, a emoção de um momento tão esperado, talvez não tenha sido previamente imaginado, mas que representou mais uma grande conquista, mais um marco, o da quilometragem que está ficando para trás, alguns quilômetros da maratona que estamos correndo que parece estar chegando ao seu final, à qual tanto nos referimos nos posts e comentários no ano passado. Aos nossos lados nestas apresentações tão marcantes, também se emocionaram as Vovós e Vovôs, as priminhas e Dindos e as nossas companheiras de batalhas, Eva, Nini e Jô. A turminha da pequena família continua firme e forte do nosso lado, se emocionando, chorando e nos dando apoio. O que seríamos de nós sem eles... Teté agora já começou a ensaiar a música que irá cantar no coral de final de ano. João e Maria do Chico Buarque. A "noiva do caubói" já ensaia fantasiada e tudo. Prepara mais "kleenex"!

Conseguimos mais um mês das QTs engrenando, alguns exames de checagem feitos e tudo indo muito bem, dentro do esperado e muitas vezes melhor do que o esperado. Esta semana temos um check-up cardiológico para fazer, faz parte do protocolo. Não temos dúvida que a alimentação da Bela, o esmero das pessoas que nos cercam cozinhando para a Bela com todo o carinho e com a severa vigilância da Bel está fazendo toda a diferença. "Não quero o que tem dentro dessa panqueca!" Beleza, se não vale a pena brigar por um pouco mais, vai só da massa que é de espinafre ou cenoura, e assim vamos indo. Sinceramente não podemos reclamar pois ela come direitinho muitas verduras e legumes que sabemos que lhe fazem bem. Os exames de sangue de rotina continuam. Estavam começando a espaçar para duas semanas e os resultados da semana passada foram acima da faixa desejada. Talvez aumento das QTs, mas antes, mais um exame essa semana para darmos uma checada se não foi alguma alteração por algum quadro viral. Exames começam a espassar e o mosquitinho passa a ser um martírio. Desacostuma. E é sempre uma apreensão na hora de pegar os resultados. Não é diferente do que vimos do cartão com os anéis olímpicos ao ser virado e ouvirmos "Rrio dhe Xanero!". Achamos que esse suspense ainda estará nos acompanhando por muito tempo.

Conseguimos pela primeira vez desde janeiro de 2008 viajar sozinhos, só nós dois. Como a viagem pela comemoração de 15 anos do nosso casamento do ano passado foi adiada, não queríamos deixar o 16º ano em branco e fomos na quarta-feira para Búzios. Rodrigo tirou dois dias e meio off e voltamos no sábado de tarde, pois já imaginávamos que a saudade seria grande. O limite é Búzios. Duas horas do Rio, sem trânsito. Dinda, Vovó Lena e Vovó Cecília nos dando todo o suporte, além das nossas "anjas da guarda" que tem um carinho enorme pelas meninas. Precisávamos. Não só pelo tempo de nós dois juntos, apesar de 50% do tempo falarmos nas crianças, mas para vencer o medo. O medo de não estarmos os dois perto da Bela, o que nunca houve desde o primeiro dia de tratamento/diagnóstico. Chovia cântaros e resolvemos ir, para mostramos para nós mesmos que "Yes we can!". Conseguimos! As meninas também, apesar da Nana perguntar ao telefone porque nós viajamos sem levar ela e a Teté.

E assim foi mais um mês. Esperamos que quando voltarmos mais uma vez aqui para postar notícias, que sejam tão boas como essas que tivemos no mês de Setembro, que fechou no dia 2 de outubro, quando completamos os 16 anos de casados e o Rio 2016 teve sua candidatura festejada. Não tivemos como deixar de pensar nas meninas, a Nana com 12 e a Bela com 10 anos, nos acompanhando nas provas de Ginástica Olímpica e Vôlei, como elas já determinaram que querem ver. Assim seja. Mais um marco futuro para ser lembrado.

Fiquem com Deus e obrigado por ainda passarem por aqui. Adoramos. Com todo o nosso carinho de sempre, Bel e Rodrigo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Engrenando novamente

Tempo firmando e saúde idem. Julho já vai ficando bem longe e Agosto, não foi mês de desgosto. Desde que havíamos iniciado em meados de Outubro a jornada de 72 semanas da Manutenção, tivemos raríssimas intercorrências e Julho chegamos a 10 dias de interrupção na quimio, chegando até a carimbar um Granulokine no passaporte da viagem que fazemos. "Manutensão" total em Julho e curtição total em Agosto, com fotos das férias esticadas pela gripe suína aqui salpicadas, imagens que dispensam comentários, com a participação das queridas priminhas Carol e Bia.

Talvez a melhor parte daquele período mais complicado foi podermos conhecer verdadeiramente a filha que temos, que a última vez assim tinha sido em 2007. Após uns 7 dias "limpa", sem drogas para que o seu organismo se recuperasse das viroses, saindo da anemia e com defesas voltando, tivemos uns 2 ou 3 dias da Bela em sua plenitude. Uma delícia de criança, alegre, saltitante, pulante, cantante, moleca, tudo de bom! Aproveitamos ao máximo aqueles dias, pois "show must go on" e os nossos amigos de todas as noites tinham que voltar. Aos pouquinhos foram voltando, voltando e logo, em torno de duas semanas já estavam em suas cargas totais. Maravilhosamente voltamos à velocidade de cruzeiro, na qual ficamos um bom tempo no primeiro semestre e agora com o tempo um pouco mais quente, sem aqueles dias frios, chuvosos e consequentemente úmidos, sem viroses, tosses ou espirros. Velocidade de cruzeiro em céu de brigadeiro? Amém. Para ela então nem se fala, pois os "mosquitinhos" podem voltar a ser a cada quinze dias. Ultimamente foi brabo. Quase toda a semana e as vezes a cada 2 ou 3 dias. Tadinha, mas pouco reclama. Nos últimos exames brigava com a gente, dizendo que queria ver o mosquitinho quando colocávamos o seu soninho no rosto, para evitar ver a agulha e o sangue. Pediu, viu, pouco chorou e depois já estava brincando e mais uma vez colaborando com o inevitável.




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Suínas a parte, tempo mais firme e volta às aulas. A Nana estava louca para voltar, perguntando todos os dias se já era dia de escola. Voltou no dia 17, como a grande maioria. Bela dizia que não queria ir à escola. Nem nós queríamos que fosse. Estava bem assim. Cá pensamos com os nossos botões que se e quando voltasse, nova readaptação na escola teríamos que fazer, pois a vontade era zero. A irmã foi indo, o tempo foi melhorando e no final daquela semana dissemos que iríamos deixar na escola o guarda-chuva que sua querida amiguinha Juju esquecera aqui em casa. Disse que ela queria ir levar e que gostaria de trocar de roupa. Malandra, já imaginava que poderia ficar, mas não falou nada. Não sabia como seria sua própria reação. Pediu para ir lá dentro, na sala de aula, para levar o guarda-chuva e... "eu vou ficar aqui um pouquinho". Nos falamos ao telefone: tempo quente, firmando, tudo aberto e escola super cuidadosa. Um pouco reticentes deixamos ela lá. Se nós adultos complicamos o fácil, nossos pequenos simplificam o que achamos difícil. Adaptação feita em 3 segundos. De lá para cá tem ido todos os dias, adorando e nos contando de forma vibrátil tudo o que faz e acontece, principalmente falando dos seus queridos amiguinhos. Uma delícia.

Mas, há uns dias que ganhamos um belo de um "helloooo" do Planeta Leucemia. Espirros e tosses? Foi a Nana! Ufa! Comemoramos. Bela tossindo? Frio na espinha. Não há uma única vez que não cheguemos perto para lhe fazer um carinho e não coloquemos a mão no seu pescoço para sentir a temperatura. Achamos que ela percebe, mas sabe que faz parte do jogo. Uma noite na semana passada, simplesmente do nada - do nada não deve ser pois alguma razão há de existir - a Bela deita e tem uma acesso de tosse, de fazê-la chorar, por não conseguir dormir, nós então... Mandingas e simpatias em vão até que um xarope acalmasse a tosse e ela conseguisse dormir. Ela sim, nós não. Rodrigo com taquicardia novamente, Bel com insônia até as 4 da manhã, perfeito para nós que queremos recuperar a nossa saúde, principalmente quando estresse e falta de sono são boas causas para uma baixa imunidade. Temos que nos acostumar a esses solavancos inesperados. Achamos que nunca nos acostumaremos.

Mas vamos seguindo, com a Bela bem, que é a mais pura verdade. Crescendo! Foi na endocrinologista outro dia e cresceu mais 4 centímetros! Já está com 97 cm, recuperando muito a distância que estava e indicando que estará acima da curva. Usualmente o crescimento fica estagnado durante a parte mais dura do tratamento x doença e depois vai se recuperando. A Bela não está diferente, graças a Deus. Comendo bem também, que nos tranquiliza muito, principalmente nos finais de semana, que o MTX que entra na quinta a noite baqueia bem e o rescaldo com o Vonau continua até segunda. Tem funcionado. Time que está ganhando não se mexe e os remédios contra enjôo continuam na roda semanalmente.

Enfim, continuamos andando, pedindo para que a primavera chegue logo, que o frio, chuva e umidade voltem somente no inverno do próximo ano, que o tempo firme, para que possamos continuar caminhando, avançando no tratamento. Outro dia mexendo em vídeos antigos, pegamos um do Carnaval desse ano. Tão ali, mas ao mesmo tempo tão longe. Parece que foi ontem, mas já se passaram 7 meses, quase 30 semanas. Parece ontem, mas foram quase 30 semanas de tratamento que já se passaram nesse período. 47 semanas corridas já ficaram para trás. Interrupções cá e acolá, retomadas com doses parciais, devemos ter umas 2 ou 3 para pagar lá na frente, pois o que vale é a dosagem plena dos quimioterápicos. Final de março, início de abril deveremos estar encerrando o tratamento. Mais provável final de abril? Talvez.

Que seja antes do inverno. Que possamos ter a nossa Bela de volta e possamos viver novamente no Planeta Terra em sua plenitude, vida de terráqueo, poder viajar para lugares que fiquem a mais de uma hora e pouco do Rio, poder viajar de avião, poder esperar febres baixarem sem se preocupar, poder não se apavorar por saber que ela tem defesas, vê-la moreninha sem sua palidez da anemia. Se Deus quiser esse dia há de chegar e desse biênio possamos extrair todas as boas lições que aprendemos e possamos usá-las para ajudar muita gente que pode precisar.

Foi bom contar para vocês mais um pouquinho de como temos andado. Beijos e abraços. É bom tê-los por perto. Fiquem com Deus e que venha o calor!

domingo, 16 de agosto de 2009

Erva Doce

Tivemos dias muito gostosos de férias das crianças e do Rodrigo. O atraso da volta às aulas fez com que ele desse uma esticada nas suas férias e voltássemos para o Bomtempo, curtindo um período adicional na semana passada. Depois a gente posta boas fotos dos gostosos dias, com muito tempo bom apesar do inverno e principalmente ar livre, longe dos vírus que rondaram nossa casa. Volta para o Rio, volta para o trabalho e ainda sem volta para a escola. Os vírus timidamente já deram seus sinais de vida, consultas, exames rotineiros - todos bons graças a Deus - e rotina da quimioterapia andando. Cada semana, mais uma semana que avançamos e menos uma semana para chegarmos ao término da Manutenção. Ainda falta, mas estamos chegando lá.

Enquanto isso, em tempos de gripe suína, que muito nos assusta por estarmos no grupo de risco, recebemos uma receita caseira, que se é verdade ou não, se resolve ou não, pelo menos mal não faz e um soninho tranquilo a gente deve conseguir.

Voltamos logo. Fiquem com Deus.

O anis estrelado é o extrato-base (75%) da produção do comprimido Tamiflu

O anis estrelado, amplamente cultivado na China, é o extrato-base(75%), da produção do comprimido Tamiflu, da Roche.

Mas, como é um pouco difícil encontrar o anis estrelado aqui noBrasil, podemos usar o nosso anis mesmo - a erva-doce - pois esta ervapossui as mesmas substâncias, ou seja, o mesmo princípio ativo do anisestrelado, e age como anti-inflamatória, sedativa da tosse,expectorante, digestiva, contra asma, diarréia, gases, cólicas,cãibras, náuseas, doenças da bexiga, gastrointestinais, etc...

Seu efeito é rápido no organismo e baixa um pouco a pressão, devendoser feito o chá c/apenas uma colher de café das sementes para cada200ml de água, administrado uma a duas vezes ao dia, de preferência apósuma refeição em que se tenha ingerido sal.

Se vc está lendo, ajude a divulgar o uso da erva-doce como preventivodo H1N1, ou mesmo como remédio a ser tomado imediatamente após os 1ºssintomas de gripe, pois seu princípio ativo poderá bloquear a reprodução do vírus e mesmo evitar seu maior contágio.
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Porém, pouco ou nada adiantará utilizar a erva-doce após 36 horas dopossível contágio pelo H1N1, pois a erva ñ terá mais força substancial p/bloquear a propagação do vírus no sistema respiratório.

Efeitos colaterais: pequena sonolência nas 2 primeiras horas - evitardirigir e/ou operar máquinas.

Obs:- O uso da erva-doce é alternativo e poderá ser até eficaz, mas ñ/ substitui a assistência médica necessária

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Férias de Julho + Obrigada Anna Claudia

Quando postamos a Nana não estava 100%, o que é raro, graças a Deus. Teve febre alta e ficou bem prostrada no domingo. Ainda devagar na segunda, consulta de encaixe no pediatra e constatada otite. Nos dias atuais é lucro. Chegamos a comemorar. Pode? Entrou no antibiótico logo, já com dose de ataque. Hoje já está quase 100%. Graças a Deus.

Nossa programação de férias era passar 4 dias durante a semana no Parador Maritacas, com diversos amiguinhos da escola e suas famílias, ao menos as mães, pois diversos pais, como o Rodrigo, não puderam pegar a semana off. Fica entre Mendes e Barra do Piraí. Perdemos a segunda e fomos na terça a tarde, quando tivemos certeza que a Nana estava se recuperando e reagindo bem. Certamente nada de piscina e sempre proteção contra o sol, mas o tempo não estava nem para um nem para o outro. Nesses tempos de vírus soltos pelo ar, gripe suína nos assustando verdadeiramente, viajar até que é uma boa opção, pois abrimos a casa, que respira um pouco e um ar limpo, de um novo lugar, ajuda a recuperar a turma combalida.

As meninas adoraram. Bel, Nana, Bela, Vovó Cecília e nossa Nini se divertiram durante a semana, com direito à carona das duas pequenas na tirolesa de 300 metros que tem no hotel, que é imperdível, para quem gosta de emoções. As mulheres da família mostraram que não tem medo de nada. Voltaram todas muito bem, melhor do que foram, com muita história para contar e fotos para mostrar. Uma alegria só. Esses pequenos momentos são reenergizantes para nós. Mesmo o Rodrigo que ficou trabalhando, só de saber que a turma estava feliz, todas bem e aproveitando, já é o bastante para ficar em paz.

Teve que ser programa de semana útil, pois sexta era dia de mais um hemograma de checagem. As QTs orais já tinham voltado, ainda em carga leve e já começaram a mostrar para que servem: "abafar" a medula. E fizeram bem o seu serviço. A contagem dos leucócitos voltou para os padrões da faixa em que temos que correr na fase de Manutenção, mas nos limites inferiores, que deixa a baixinha com menos defesas, mas algumas razoáveis ela tem. Programas no Rio? Somente ao ar livre e quando o tempo permite. Shoppings, cinemas e teatrinhos foram cortados da programação e muitas brincadeiras e jogos no play que montamos aqui dentro de casa. Ir ao clube para brincar no parquinho com os amiguinhos, bem agasalhadas e de preferência ficando sempre em áreas abertas. É o que tem dado para fazer nessas férias. Melhor assim nessa época. Falta muito ainda, mas ao mesmo tempo é tão pouco quando consideramos todo o tempo que já ficou para trás. Completamos no dia 23 de julho 18 meses de tratamento. Ainda temos uns 8-9 pela frente, pelas nossas contas.

Rodrigo finalmente conseguiu tirar uns dias de férias. Já se passaram dois dias úteis e parece que já são duas semanas. Estávamos desacostumados com férias. Infelizmente nossa autonomia não é muita e vamos viajar novamente aqui por perto. Tiro curto. É o que podemos. Talvez seja o que achamos mais prudente. Não ficar muito longe de casa, do Rio e de ajuda, que esperamos não precisar. Se a turminha se mantiver bem de saúde como está até o momento, vamos amanhã para o nosso querido Bomtempo em Itaipava, passar 5 dias até o próximo domingo. As meninas estão super ansiosas, pois gostam de viajar e curtem ir para lá, assim como nós, que conseguimos descansar, pelo menos a cabeça. Pena que o tempo não esteja muito católico A chuvarada de hoje a tarde deu uma desanimada, mas há de dar tudo certo e vamos conseguir aproveitar os dias que temos pela frente, mais uma vez com a companhia da Vovó Cecília e muito provavelmente no final de semana o restante da família Sertã Paixão. O Dindo está trabalhando ali pertinho, o que ajuda a reunir a família.

Enquanto saímos de férias, vamos ali e já voltamos, temos uma grande amiga, que esse Planeta nos aproximou, que vai ali, um pouco mais longe e não volta logo, logo: Anna Claudia. Germana, como sua assessora de imprensa não autorizada, explica bem as mudanças familiares da Anna Claudia nos comentários do último post. Como bem dito pela Gê, o "Brasil vai ficar um pouco mais pobre de sensibilidade, inteligência e bom astral". Anna, não poderíamos deixar de registrar nessa cortiça virtual o nosso muito, mas muito obrigado mesmo. Você caiu do céu. Não sabemos se nós fizemos você relembrar momentos que gostaria de se esquecer para sempre ou lhe ajudamos a conseguir virar algumas páginas do livro da sua vida, da vida da sua querida Anna Luiza. Você foi e tem sido uma das pessoas mais importantes para nós dois, para a nossa família e para a Bela, nesta longa caminhada em que estamos pela cura da nossa guerreirinha. Você nos ajudou muito em momentos em que achávamos que não seria possível furar mais uma onda que já vinha para nos dar mais um caldo. Lembra? Quantas vezes comentários diretos, quantas vezes humor, quantas vezes dicas, quantas vezes você tranquilizou todos os amigos que aqui transitam? Bem, porque estamos nos despedindo, se ganhamos uma amiga por meios virtuais e lá em Barranquilla você deverá estar mais conectada do que nunca com todos nós, seja virtual como espiritualmente. Receba essa fotinho da Bela, talvez a mais recente de todas, fresquinha, como o nosso muito obrigado, essa é para você. É para a Anna Luiza. É para você ver que temos aqui uma menininha hoje com 3 e poucos anos, doce, meiga, falante, risonha, dançante, que corre, pula, vai a escola, que você ajudou muito a chegar aqui e vencer essa longa caminhada desde que ela tinha 1 ano e 10 meses. Anninha querida, mais uma vez o nosso muito, mas muito obrigado, do fundo dos nossos corações. Você merece ser muito feliz com sua família. Que dê tudo muito certo para vocês 4 lá. Até breve e aqui sempre que quiser aparecer.
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Fiquem todos com Deus e voltamos na semana que vem, esperamos que com boas notícias dessa nossa looonga viagem de 5 dias aqui pertinho. É a vida que temos e vamos aproveitá-la!. Esperamos também trazer notícias do aniversário da Vovó Lena na próxima segunda, dia 3 de agosto, com direito a jantar aqui em casa, organizado pela Nana. Adoramos todos vocês. Que fique para trás esse mês de Julho com todos os seus vírus! Obrigado por estarem sempre por aqui. Com carinho, Bel e Rodrigo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Enfim notícias!!!

Queridos, aliás Muito Queridos Amigos do Blog,

Enfim notícias!!!

Desculpem-nos tanto tempo sem postar. Quatro meses sem notícias. Foram quatro meses em que podemos dizer que pudemos engrenar bem na fase de manutenção da Bela, até intercorrências recentes, dada as viroses que estão soltas no ar, das quais ninguém aqui de casa escapou, mas parece que estamos aos poucos conseguindo voltar para a velocidade de cruzeiro em que estivemos por quase 3 meses. Não contrariando a máxima de que falta de notícia é boa notícia, podemos dizer que na média foi o que aconteceu nesse último quadrimestre. É isso mesmo, muitas notícias e principalmente notícias boas para contar para vocês.

Vamos começar com a nossa super guerreira, nossa heroína Bela. Passamos um abril para lá de bom, talvez tenha sido o primeiro mês, desde o início de tudo, que pensamos muito pouco em doença, habitamos de fato o Planeta Terra. Foi o primeiro mês sem intercorrências, sem gripes, sem febres, sem tosses, sem exames de última hora. Talvez o tempo estável, sem frentes frias, tenha ajudado, ou até mesmo a empolgação pela casa nova. Sim a casa nova, tão sonhada, tão lentamente reformada e finalmente cá estávamos nós dentro dela. A Páscoa era a nossa data limite para a mudança. Quinta e sexta-feira Santa de muito trabalho, agora vivenciando além do milagre da ressurreição e o da multiplicação das caixas. Êta apartamentinho velho valente, disse o chefe da equipe da empresa de mudança, e olha que não somos tralheiros...

As meninas estão amando a nova casa! Nada como espaço para criança, muitos piques, brincadeiras, patins, patinetes, bicicletas pelo meio da casa, que para elas é um grande play. No início, algumas preocupações: brincadeira na sala, no sofá novo? Rapidamente lembramos do tempo que a Bela nem conseguia andar e rapidamente voltamos para ela, uma vez que fizemos o apartamento para ser usado, com capas nos sofás, sinteco de fácil aplicação e retoque e a casa transformada em brincadeiras. Assim foi como sonhamos, assim estamos assistindo o sonho, bem acordados, saboreando cada passo desta conquista. Na nova casa, passamos a Páscoa, com tudo o que ela representa, a passagem, renovação e esperança.

Já na Rua Itaipava passamos o Dia das Mães, o aniversário da Vovó Cecília, da Bel e do Vovô Beto. Agora com mais espaço para a família se reunir, papear na mesa da varanda, com direito a lindos nasceres da lua, próxima ao Pão de Açúcar, ou “mais perto”, bem atrás do morro da Fonte da Saudade. Ainda temos muito que fazer na casa, mas já está ficando com a nossa cara e principalmente com o calor das nossas pequenas. Vários amiguinhos presentes, tanto da Nana, quanto da Bela! No dia de conselho de classe da escola, eram 7 meninas de 5 e 3 anos espelhadas pela casa e se divertindo. Só não sabemos quem se diverte mais, se somos nós ou as meninas.

Nana também está ótima, adorando a escola e as novidades de um ano importante para a preparação da alfabetização no ano que vem. Os amiguinhos continuam para cima e para baixo, agora engordando a lista com os pequeninos e já presentes amigos da Bela. Jujú, Felipe, Maria Fernanda, Dudu, Bia e outros já entraram no seu coração. São abraços e carinhos expressamente demonstrados, brincadeiras gostosamente divididas. Recebe convite para ir ao teatrinho e brincar na casa dos novos amigos. Nenhum convite foi negado até essa fase mais complicada das viroses, e lá ia a nossa pequena social à vida que tanto sonhou. Vários também já vieram brincar com ela na sua casa para a sua felicidade total.

Enquanto isso seguiu o tratamento. Agora podemos dizer que o tratamento faz parte da nossa vida e não a nossa vida parte dele. Convivemos com o tratamento diariamente na administração de vários remédios, mas conseguimos levar a nossa vida. Continua uma farmácia extensa e o último medicamento somente duas horas após a última refeição. O lanchinho na cama antes de dormir em um dia em que está elétrica é que nos mata, pois significa às vezes dar o quimioterápico quase duas da manhã. A atenção permanente é a nossa tentativa de garantia para seguirmos firmes. Estamos agora chegando próximos à 40ª semana da fase de manutenção, que dura 72 semanas. Estamos já na segunda metade oficial, sendo que provavelmente ainda teremos uns bons acréscimos para compensações dos quimioterápicos não tomados por conta das intercorrências iniciais desta fase e principalmente nas mais recentes que não foram poucas, com momentos mais delicados.

Temos que fazer diversos procedimentos protocolares, como exames de sangue de rotina, consultas mensais com a hematologista, consultas a cada 2 meses com a endocrinologista, check-up com a neurologista, ultras, etc. A avaliação da neurologista foi excelente! Segundo ela, se pudesse dar nota 11 daria, como não pode, a Bela fica “só” com 10. Ufa! Alívio geral para nós. Continua a fraqueza nas pernas principalmente para subir escadas. Avaliação geral da fisioterapeuta que disse que não teria nada a fazer na fisioterapia. Deu algumas dicas para estimularmos a baixinha a subir as escadas, brincadeiras de correr, bicicleta, subir a nossa rua a pé, enfim turbinar ainda mais a pequena. Além disso, podemos procurar também ginástica olímpica ou capoeira para crianças. O ideal seria natação, mas com defesas incompletas nem pensar. Vamos ver o que encontramos.

Tudo ia muito bem até o início do mês passado. Na primeira semana de junho a Bel pegou da Nana uma gripe daquelas, febrão, cama, dor no corpo e tudo mais. A Nana se safou em 2 dias. Um pouco de nariz escorrendo e no dia seguinte já estava ótima. É uma tourinha! Mas com a Bel foi diferente, pegou de jeito e teve que ficar trancafiada no quarto para evitar que a nossa pequena guerreira pegasse. Esforço meio que em vão. Bela também ficou gripada, sem febre graças a Deus, mas com o vírus atuando e sua medula reagindo e mudando o padrão de exame de sangue que já estávamos acostumados a ter. Tradicionais sustos, dos quais felizmente já estávamos ficando desacostumados. Taxas altíssimas que nos remeteram a momentos que tentamos esquecer. Ficamos bem preocupados, mas a consulta com a hematologista nos tranqüilizou, mas planos de viagem que tínhamos para um final de semana antes do feriado de Corpus Christi foi alterado. Íamos com vários amiguinhos da Nana e seus pais para um hotel fazenda, mas tivemos que dividir a família. Nana, que implorou para ir, foi com a Vovó Cecília, enquanto Bel e Rodrigo ficaram com a Bela por aqui. Programação exclusiva e mais calminha com a baixinha. Aguardamos 24, 48 horas e como não teve mais nada, fomos encontrar com o resto da família no final da tarde de sábado, para tirar a Bela um pouco de casa e poder curtir os amiguinhos.

Essa saída dos trilhos está durando bem mais tempo. Há duas semanas vômito, intestino desarranjado, tosse seca, sinais típicos de uma virose. Tudo bem para uma criança que não esteja em tratamento quimioterápico. Mais um susto para nós. Exames de rotina, que haviam sido um pouco encurtados para ver como as taxas se comportavam após os picos assustadores. Começa-se com relativo relaxamento a anotar o resultado em um pedaço de papel e os números que recebíamos pareciam ser de outro mundo. E eram. Despencada geral. Pouquíssimos glóbulos brancos e dentre eles míseros 185 neutrófilos. Infelizmente lembramos dos dias em que míseros neutrófilos guarneciam o seu organismo. Lembram-se da Tropa de Elite? Isso simplesmente se deu no dia em que a Bel foi dar a entrevista que saiu no Globo Zona Sul para a campanha de doação de medula óssea no Botafogo Praia Shopping. Não tínhamos a mínima idéia e ficamos olhando um ao outro, com caras assustadas. Recebíamos o resultado após uma visita ao shopping para a matéria, e o início de uma tarde com a Bela febril, mas em nenhum momento mais do que 37,5°. Rodrigo quase enfarta. Malas são feitas correndo, pois a cartilha já diz: 38° corre para o hospital, interna e começa antibiótico venoso. Dorme-se de roupa pronta para sair, ou melhor, tenta-se dormir, tirando a temperatura da baixinha a cada hora. O organismo da baixinha reagiu de forma que não tivéssemos que voltar a um lugar que nos traz segurança, mas para o qual realmente gostaríamos apenas passar na porta e rever bons amigos que ali fizemos.

Isso fez com que as duas semanas fossem intensas, principalmente para a Bela, que teve que fazer exames de sangue a cada 2-3 dias, para vermos como suas defesas reagiam. Chegou um dia de manhã e perguntou se haveria “mosquitinho” novamente. Colaboremos com o inevitável... Foi mais uma virose daquelas que joga tudo para baixo e principalmente deixa a parte das defesas bacterianas completamente desguarnecidas. Tivemos nossa primeira experiência com uma medicação chamada Granulokine, que sabemos que é bem conhecida de diversas pessoas que fazem tratamento quimioterápico. Lembram-se que transfundíamos hemácias e plaquetas, mas na parte das defesas esperávamos a medula reagir? Dessa vez não poderíamos ficar com a Bela tanto tempo com pouquíssimas defesas e ela pela primeira vez, em 18 meses de tratamento fez o seu Granulokine. Mais “mosquitinhos”, além dos exames de sangue, que passamos a fazer em casa, pois as idas ao Lab’s D’Or do Copa D’Or estavam fazendo nossa baixinha sofrer no caminho, além da emergência lotada de pessoas com máscaras, um ambiente do qual temos que fugir a qualquer custo. Entraram de férias as duas com duas semanas de antecedência. Assim vamos driblando mais uma epidemia durante o tratamento, já se foram duas de dengue e agora a gripe suína. Haja coração!

Acreditamos que além do estímulo do Granulokine sua medula vinha se recuperando e pudemos voltar nessa última semana com a quimioterapia que ficou suspensa quase 10 dias, talvez o maior intervalo desde o início da Manutenção. Ainda não foi a carga plena, mas vamos tentando chegar na velocidade e esperamos que na tranqüilidade de dias passados.
Agora estamos com a Nana combalida, com os mesmos sintomas, tendo febre, que é raro na nossa moreninha. E vamos administrando a casa, para que o que chamamos aqui em casa de “roda” vírus saia de vez e possamos aproveitar um pouquinho das férias delas, que pelo jeito que as coisas estão, poderão ser férias bem mais longas, pois o preço da liberdade é a eterna vigilância. Pouco mudou.

Estamos agora nós dois na fase dos check-ups também, pois nunca estivemos tão doentes tantas vezes e por tanto tempo. Não podemos. Não só por nós, mas muito pela Bela, que ainda terá defesas parciais até o final da Manutenção. Creditamos ao ainda pouco sono, ao stress do tratamento e talvez ao relaxamento que essa fase possibilitou desarmarmos as nossas defesas e desmontarmos. Estamos nos recompondo, nos cuidando um pouco melhor agora.

Prometemos não ficarmos tanto tempo sem postar. Faz realmente bem à nossa alma! Desculpem-nos todos que ficaram sem respostas tanto tempo. Essa semana a gente coloca tudo em ordem, mesmo viajando de férias, se a Nana melhorar. Fiquem com Deus e muito obrigado por termos vocês conosco. Usando a nossa corrente do bem, se puderem avisar os amigos sobre as notícias que postamos, nós agradecemos. Beijos e abraços, Bel e Rodrigo.
PS 21/7: Como pedido, segue aqui a reportagem da Bel + Bela (+ Regina Lacerda, do HemoRio), para incentivar a campanha de doação de medula óssea que fizemos no Botafogo Praia Shopping nos dias 10 e 11 de julho.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Anticâncer

"Aproveito a lado Dazibao do Blog para recomendar a leitura de um livro indicado pelo Rodrigo (que deveria colocar a imagem da capa no blog). O livro se chama Anticancer, escrito por um médico, David Servan-Schreiber. Um médico ortodoxo, pesquisador nos EUA que tem um câncer cerebral. Narra o que ele conseguiu compilar de evidências a respeito de alimentação e hábitos de vida que podem contribuir para a prevenção do câncer. Sou um cético chato. Desses que leem um livro como este procurando defeito em cada palavra. Pois bem, vale a pena ler o livro. Eu mudaria o título. Ao invés de Anticancer eu o chamaria de A favor da vida.E antecipo que se alguns aqui seguirem essa recomendação, vamos ver, muito brevemente, um papo Chá Branco com linhaça, ou soja com alho, acompanhado de exercícios e meditação.Isso dito por mim, assim sem muita explicação, pode dar até internação!" (parte do comentário do nosso amigo Roberto Cooper no post anterior - a parte inicial que não fala do livro está imperdível)

Médico francês conta como venceu o câncer e ensina a prevenir a doença usando defesas naturais


"Todos temos um câncer dormindo em nós." Esta frase, estarrecedora para muitos, é o ponto de partida do livro Anticâncer, do médico e pesquisador francês David Servan-Schreiber. E, de maneira nenhuma, deve ser motivo de alarme; pelo contrário, é exatamente esta certeza que nos torna capazes de vencer essa doença – a maior causa de mortalidade no mundo ocidental.
É Servan-Schreiber quem explica: "como todo organismo vivo, nosso corpo fabrica células defeituosas permanentemente. É assim que nascem os tumores. Mas nosso corpo é também equipado com múltiplos mecanismos que lhe permitem detectá-los e contê-los. No Ocidente, uma pessoa em cada quatro vai morrer de câncer, mas três em cada quatro não morrerão. Para estas últimas, os mecanismos de defesa terão dominado o câncer".

O autor não fala somente como pesquisador. Em 1981, quando tinha apenas 30 anos, Servan-Schreiber teve câncer no cérebro. Foi tratado pelos métodos convencionais, e depois teve uma recaída. Foi então que decidiu pesquisar, para além dos métodos habituais, tudo que podia ajudar seu corpo a se defender. Na qualidade de médico, pesquisador e diretor do Centro de Medicina integrado à Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, teve acesso a informações preciosas sobre as abordagens naturais que podem contribuir para prevenir ou tratar o câncer. Hoje, ele vive em plena saúde há mais de sete anos.

Em Anticâncer, Servan-Schreiber faz o relato de tudo o que aprendeu. Conta que, depois da dura experiência de combater a doença com uma cirurgia e várias sessões de quimioterapia, pediu ao seu oncologista conselhos sobre a vida que deveria levar para evitar uma recaída. "Não há nada de especial a fazer. Viva normalmente, e se o tumor reaparecer, o detectaremos bem cedo", lhe teria respondido o especialista.

Inconformado, o autor decidiu compreender aquela doença que o afligia. Precisou de meses de pesquisa para começar a entender como poderia ajudar seu corpo a se armar contra o câncer. Participou de conferências nos Estados Unidos e na Europa, percorreu bases de dados médicos e dissecou publicações científicas. "Rapidamente percebi que as informações eram parciais e dispersas, e que não adquiriam a totalidade de seu sentido senão quando reunidas", explica ele, no prefácio de seu livro.

O que a pesquisa de Servan-Schreiber tem de inovadora é dar aos nossos próprios mecanismos de defesa o papel central na luta contra a doença. "Eis o que aprendi: se todos temos células cancerosas dentro de nós, temos também um corpo preparado para frustrar o processo de formação de tumores. Compete a cada um de nós utilizá-lo", afirma o médico.
Sua pesquisa revela que na Ásia, os cânceres que afligem o Ocidente – como o câncer de mama, do cólon ou da próstata – são de sete a setenta vezes menos freqüentes. Entre os homens asiáticos que morrem de outras causas que não seja a doença, contudo, encontram-se tantos microtumores pré-cancerosos na próstata quanto entre os ocidentais. Alguma coisa na maneira de viver deles impede que os tumores se desenvolvam.

Em compensação, ele explica, entre os japoneses instalados no Ocidente, a taxa de câncer alcançou a nossa em uma ou duas gerações. Alguma coisa na nossa maneira de viver impede que o nosso corpo seja capaz de combater eficazmente essa doença.

Dos anos 40 para cá, o ambiente está cada vez mais carregado de produtos químicos sintéticos notoriamente cancerígenos – amianto, benzina, pesticidas, entre outros. Além disso, a alimentação também mudou: consumimos mais açúcar (de cinco quilos anuais por pessoa em 1830 para 70 quilos em 2000) e mais gordura hidrogenada, muitas vezes sem nem perceber. O ômega 6, uma das piores gorduras que há, está presente nas rações servidas ao gado leiteiro e de corte e às aves de granja em quase todos os países do mundo. Pesquisas revelaram que em 2000, os ovos continham vinte vezes mais ômega 6 que em 1970.

Sem jamais duvidar do poder da medicina tradicional – que lhe salvou a vida – e depois de ter testado em si mesmo tratamentos experimentais recém-saídos das pesquisas de ponta, Servan-Schreiber explica que nós podemos estimular nossas defesas naturais contra esse mal, que "é mais uma questão de estilo de vida que de genes".

Sobre o autor:

David Servan-Schreiber, 47 anos, é médico psiquiatra e professor da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e da Universidade de Lyon, na França. Sua tese de doutorado, orientada pelo vencedor do Prêmio Nobel Herbert Simon, foi publicada na prestigiada revista Science. O premiado neuropsiquiatra, um dos fundadores do Centro de Medicina Complementar em Pittsburgh, defende o valor da medicina ocidental tradicional aliado a práticas integradas de mente e corpo.

Também é autor do best-seller Curar ("Guérir", em francês). Anticâncer vendeu mais de 300 mil cópias na França.

Vamos trazer notícias fresquinhas da Bela em breve. Está ótima. Graças a Deus.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Muitas Comemorações!

Longo tempo sem escrever. De fato "no news, good news". Estamos com saudades desde o nosso último post na véspera do aniversário da Bela, com direito a bolinho no domingo e festinha na escola com os amiguinhos. Ela adorou, os dois eventos, com os dedinhos mostrando quantas festas teve. Continua iluminada, recuperando o tempo perdido, o ano que praticamente não teve, a cada dia mais feliz, mais adaptada à escola, contadora de histórias, com expressões na face e mãozinhas articuladas, não deixando escapar nenhum detalhe.

O aniversário foi comemorado todo o tempo. Bela tinha a noção exata que a festa era para ela, que aquele era o seu dia. A alegria era contagiante, atendeu telefonemas e contava para todos que via que estava fazendo 3 anos. Tanta alegria que também contagiou nossa linda morena Nana, que estava radiante com o dia da irmã. "Olha Teté, vem abrir os seus presentes"! Ficamos as vezes surpresos com tamanho carinho que a Nana tem pela irmã. Sem ciúmes, sem comparações, um amor verdadeiro e puro, que sentimos que brota do fundo e que é demonstrado espontaneamente, sem nenhuma cobrança. Esta semana mesmo Nana teve um passeio com a escola no MAM e perguntou se a Teté iria. Dissemos que não, que seria só para a sua turma e ela respondeu que iria ficar com muita saudade da irmã. Nossa Nana não perde seu posto de também protagonista de toda a nossa luta, com toda a sua sensibilidade sabe perfeitamente da sua importância e de todo o amor que Teté e nós sentimos por ela. Só temos que agradecer por estas filhas tão maravilhosas e pela tão bonita relação que une nossos dois tesouros.

Foram ótimas festinhas! Domingo em casa, só com a família e o querido Pepê, praticamente mais um irmão. O Pula Pula inflável, presente da dinda e dindo, fizeram a noite ainda mais divertida. A festinha na escola no dia seguinte também foi outro sucesso. Não podia acreditar que estava ali, com todos os seus novos amiguinhos da turma e mais os tão amados papai, mamãe, Nana, Vovós Cecilia e Lena, Nini, Eva, Pepê, Bebel, Antonio e Chico. Todos na sua sala, vendo seus desenhos, seu lugar de brincadeiras e também cantando parabéns e soprando mais uma vez as velinhas. Foi muito bom!

Estes têm sido dias para lá de corridos. Rodrigo com o trabalho a mil por hora e todos nós em contagem regressiva para terminarmos a reforma e nos mudarmos. Agora precisamos realmente correr, pois fechamos o aluguel do nosso apartamento, que precisamos prepará-lo para os novos inquilinos que chegarão. Nesse meio tempo algumas idas rápidas ao Planeta Leucemia, para os hemogramas de checagem. Por sinal, bons exames. Melhora da parte vermelha e a parte branca, exatamente dentro da faixa esperada, agora com a quimioterapia oral "full". Esperamos que seja sempre assim pelos longos meses que ainda temos pela frente. Pelas contas atuais, até fevereiro de 2010, quando ainda teremos a nossa pequena heroína ainda no limite da neutropenia, das baixas defesas, mas algumas boas.

Falando em Planeta Leucemia, podemos dizer que na terça a noite passamos lá. Parecia uma ida de uma casa antiga, de onde estamos saindo, de onde trouxemos muita coisa e deixamos muito pouco por lá. Terça foi o dia da última punção intratecal do nosso amigo de jogo MTX! Outra data tão aguardada por nós e que parecia estar tão longe... Pelo protocolo do tratamento foi a última anestesia para a aplicação da quimioterapia no sistema nervoso central. Graças a Deus. É de cortar o coração ver a nossa baixinha ir apagando, ainda mais agora que a cada dia volta a ser uma criança normal, de 3 anos recém completos. Levá-la para o hospital é realmente uma tarefa nada fácil, mas a "colaboração com o inevitável" é sempre lembrada.

Talvez pior do que o ir apagando, e também ter que deixá-la com os médicos para o procedimento, tem sido sua volta da anestesia. Foram tantas que perdemos as contas. É melhor mesmo nem ficar fazendo. Demorou mais uma vez muito para acordar, assustada e chorando muito, se contorcendo, parecendo dor. Mais um "hello!" do Planeta Leucemia, que não poderia deixar de ir se despedindo facilmente. Adormeceu novamente nossa Bela, acordando uma hora a mais depois, no estilo grilinha falante, feliz, cantante, não deixando de passar no coffe shop, para comprar uma torta de chocolate, "que a Nana vai adorar!". É realmente muito bacana o carinho de uma com a outra, com várias demonstrações que nos respondem que estamos com mais acertos do que erros na missão de educar. Nessa noite nossa baixinha foi dormir quase uma da manhã, pois foram quase duas horas de sono entre seis e oito da noite no hospital, que por sinal é um lugar onde nos sentimos relativamente bem. Estranho?

MTX injetado significa trabalho de rescaldo redobrado. Zofran venoso entra em seguida e em casa nosso amigo Vonau (substituto mais em conta do Zofran) vem fazendo direitinho o seu papel. É importante, pois amanhã já é dia de MTX oral. Pelo visto vamos de Vonau até segunda próxima. E agora será a rotina de QTs orais noturnas diárias, reforçadas pelo MTX na quinta, reforços de Vonau e exames de sangue periódicos, no mínimo a cada duas semanas. Nesse intervalo buscando afastá-la de gripes, resfriados e quaisquer vírus usuais de uma criança de 3 anos, da melhor forma que pudermos. Continua a nossa célebre frase de diversas fases do tratamento do "preço da liberdade ser a eterna vigilância".

Chegamos ao fim de um ciclo importante do tratamento, continuando outro não menos importante, mas mais brando, mas longo. Não podemos ainda nos despedir do planeta que habitamos por muito tempo, que nos ensinou muita coisa bacana e nos aproximou de uma realidade que não fazíamos a menor questão de conhecer. Por coincidência, chega agora uma resposta que sequer esperávamos que teríamos, a essa altura do campeonato. A Editora Elsevier respondeu a um projeto de lançamento do livro “Você e a Leucemia, Um Dia de Cada Vez”, pela primeira vez traduzido para português e distribuído no Brasil. É um projeto de tradução, publicação e distribuição gratuita, com palestras e cartazes em centros de oncologia pediátrica e também com comunicação via assessoria de imprensa. Será que sua empresa se interessaria em contribuir para esse projeto? Estamos tentando fazê-lo junto à ABRALE (http://www.abrale.org.br/), que receberia as doações, com as isenções fiscais de uma OSCIP. Quem se interessar, por favor mande um email para o Rodrigo (rodrigo.capistrano@gmail.com), que a gente passa mais detalhes.

Por enquanto é só. Esperamos que a nossa Bela continue resgatando seu tempo de vida, recuperando sua vida, iluminada e alegre como tem sido nos últimos dias. Só temos que agradecer a Deus por mais este ano, pela sua recuperação e por sua saúde. Seu cabelinho já começa a ter cachinhos, continua espichando e pela primeira vez percebe-se nitidamente que está ficando mais "encorpadinha". Está realmente adorando a escola. Como há duas Belas, além da professora, ela é Bela "Teté". Que seja assim, que possamos viver os próximos 10-12 meses que temos ainda pela frente dessa forma. É a vida que podemos ter e temos que agradecer, pois está maravilhosa.

Antes de nos despedirmos, gostaríamos de compartilhar o email que recebemos da Isabela, professora da nossa Bela, no dia do seu aniversário, que muito nos tocou, que expressa lindamente nossa linda guerreirinha. Fiquem com Deus, muito obrigado por estarem por aqui e até o próximo post.
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"Bel e Rodrigo,

Todos os pais sonham com o primeiro dia de aula de seus filhos. Sem dúvida, todos são tomados por muita emoção e felicidade. A torcida é para que aquelas primeiras tardes passem bem devagarzinho, assim todos os momentos são registrados, nas milhares de câmeras- claro!- mas principalmente em seus corações.

Já vivi muitos primeiros dias, não como mãe, ainda, mas como parceira delas, como alguém que quer muito ver todos os pequeninos felizes, aprendendo, brincando e se desenvolvendo em um ambiente seguro e saudável.

Durante o ano, são muitas as emoções e alegrias para vocês pais, mas também para nós. São desenhos, relatórios, teatros, apresentações, tiradas- quantas tiradas!-, novas curiosidades, muitas descobertas.

Tenho certeza que para vocês toda essa emoção se triplica e transborda em ver nossa pequena guerreira começando sua vidinha escolar e social.

Poder acompanhar a Teté nesses primeiros momentos foi e é um presente. Nos faz simplesmente parar e agradecer. Cada passo, seus olhinhos- que falam- observando a tudo e a todos. A vontade de mergulhar de cabeça naquele mundo, antes só da Nana, mas ainda uma certa resistência pelo desconhecido. Cada novidade, ganha um sorriso tímido (a lingüinha da Bela fica pra fora e os olhos mais expressivos do que nunca!) de quem está muito feliz em estar ali, mas que ainda quer um tempinho para “entregar seu coração”. A vozinha rouca nos chama e diz exatamente o que quer. Presentes para a mamãe, papai, Nana, Leni e para as primas Bia e Carol, fazem a ponte com seu mundinho seguro e muito conhecido; assim como os muitos desenhos de todos no quadro e o orgulho com que diz “É a minha família!”.

Aulas de música, inglês, pinturas e muitas brincadeiras. Bela está se deixando conquistar aos poucos. A alegria em ser ajudante, as trocas no lanche com os novos amiguinhos- Bem irmã da Nanoca, adora um biscoitinho!-, as histórias que tanto gosta. Nos conta muitas novidades de casa, das vovós, viagens e não esconde o entusiasmo quando a Nana vem com as amigas ficar um pouquinho em nossa sala. Papa Vento e Mágico, definitivamente, nos tiram do parcão e parquinho. A Bela reclama do barulho e me pede para brincar na sala. Junto com os outros amiguinhos que não gostam do barulho, brinca mais à vontade e conversa bastante. Certos estão eles!

Aos pouquinhos, Teté vai se sentindo segura para estar ali e aproveitar ao máximo cada momento, cada descoberta!!

Hoje, desejo a ela, pequena guerreira, ainda mais alegrias e a certeza de momentos maravilhosos, sempre perto dessa família tão linda, que vocês têm. Deixo um beijo bem grande para vocês dois, pelo exemplo que foram, e são, para tanta gente, pela força e, acima de tudo, pelo amor que os une. Não esquecendo, claro, de uma pessoinha também iluminada e que desde tão pequena demonstrou muita sabedoria e generosidade: Nana. Fico feliz em ter feito parte de sua vida e como já disse tantas vezes a você, Bel, minha admiração por ela só faz crescer. Linda, querida, educada, amiga e uma irmã maravilhosa! Parabéns a vocês quatro! E toda a família! Teté, hoje é o seu dia, que dia mais feliz! Parabéns! Parabéns! Parabéns!

Amanha vou mandar um vídeo pequenino, em que ela brinca, ajuda e já mostra estar bem entrosada com sua sala, amiguinhos e professores. Ficou muito pesado para mandar por aqui e não quis colocar na Internet.

Com certeza, esse será um ano de muitas alegrias!!

Contem comigo, Tati e toda a escola. Estamos muitos felizes em ter a Bela conosco!!

Esse e-mail não foi da professora, da escola, mas de alguém que torceu muito por vocês, e que está muito feliz em poder dividir momentos tão especiais!

Um beijo bem grande,
Isabela.